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sábado, 26 de novembro de 2011

ESTUDANDO O EGO




A maior dificuldade que encontramos na busca do autoconhecimento é a confusão que se estabelece entre o Ser que somos e o ego que temos. Comumente confundimos quem realmente somos com a nossa auto-imagem, num movimento ilusório de acharmos que somos o ego.
Em uma abordagem psicológica transpessoal, o ego é uma estrutura transitória de nossa psique, que deve ser transcendido, para se buscar aquilo que é permanente, o Essencial em nós mesmos. Como dizem os psicólogos orientais: o ego é aquele que não é, pois é transitório.
Podemos atestar, dentro de uma visão transpessoal, que o ego não existe como uma entidade em nossa psique. Este conceito de ego, como uma entidade separada a ser fortalecida, é fruto do materialismo que predomina nas diferentes abordagens psicológicas ocidentais.
O ego, na abordagem transpessoal, representa uma parte do todo que forma a nossa psique, no qual os valores essenciais estão ausentes, dando origem aos sentimentos egóicos como orgulho, vaidade, egoísmo, etc. 


 
Por exemplo, analisemos esta tríade: orgulho, egoísmo e ansiedade. Estes sentimentos são apenas nomenclaturas para que identifiquemos a ausência de valores essenciais.
Eles não são reais. Não podemos dizer que eles não existem, mas não são reais, no sentido de que o real é o permanente, é o essencial. Eles são ausência.
Dentro do conceito da impermanência, por mais que haja orgulho, egoísmo e ansiedade em nós, de um ponto de vista transcendente, ao seu tempo todos vamos nos libertar de tudo isso, apesar de que, na visão não energética, ela se torna real naquele momento, gerando a densificação do ego.
Mas, ao longo do tempo, ele tende a desaparecer, porque o ego é aquele que não é. Todos estes sentimentos egóicos não são; estão, porque são ausência do exercício dos valores essenciais que somos.
O que queremos colocar é essa questão da ausência, do não ser, mas estar. O estado é impermanente, transitório. O orgulho é a ausência do valor de ser humilde. O egoísmo é a ausência de altruísmo. A ansiedade é ausência de serenidade. Quando estamos fixados, tímidos, no exercício do ser, estamos vivendo o irreal do não-ser. 


 
Por exemplo, analisemos esta tríade: orgulho, egoísmo e ansiedade. Estes sentimentos são apenas nomenclaturas para que identifiquemos a ausência de valores essenciais.
Eles não são reais. Não podemos dizer que eles não existem, mas não são reais, no sentido de que o real é o permanente, é o essencial. Eles são ausência.
Dentro do conceito da impermanência, por mais que haja orgulho, egoísmo e ansiedade em nós, de um ponto de vista transcendente, ao seu tempo todos vamos nos libertar de tudo isso, apesar de que, na visão não energética, ela se torna real naquele momento, gerando a densificação do ego.
Mas, ao longo do tempo, ele tende a desaparecer, porque o ego é aquele que não é. Todos estes sentimentos egóicos não são; estão, porque são ausência do exercício dos valores essenciais que somos.
O que queremos colocar é essa questão da ausência, do não ser, mas estar. O estado é impermanente, transitório. O orgulho é a ausência do valor de ser humilde. O egoísmo é a ausência de altruísmo. A ansiedade é ausência de serenidade. Quando estamos fixados, tímidos, no exercício do ser, estamos vivendo o irreal do não-ser.
O ego é apenas o não-movimento do Ser Essencial.
Quando o Ser Essencial não age, o ego que não é: se situa.
Utilizemos, agora, uma linguagem metafórica para facilitar ainda mais o entendimento: 


 
Suponhamos que o nosso Ser fosse uma mão com 5 dedos. Cada um com uma função. Mas apenas 4 dedos a exercitam. O polegar não. Ele é menos dedo do que os outros? Ele é coisa diferente da mão? Não. Ele continua sendo parte, apenas não exerce a sua função. Ele apenas não faz o que é preciso.
Então o que acontece: quando a energia fluir para os dedos, no polegar ela não fluirá. Então, cria-se um hábito da energia ali não fluir. Só que, quando os 4 dedos passam a perceber que alguma coisa está não, há um movimento, porque tudo na natureza é solidário. Eles são impulsionados ao sim porque tem um dedo que está não.
Quando todos tomam contato de que o polegar está não, começam os exercícios para que ele fique sim, que ele cumpra a sua função e a energia flua. Até que ele fique sim. Enquanto ele está, não, é ego, depois que ficar sim, passa a ser essência. Porque era o tempo todo essência, mas era essência não.
Vamos nominar cada dedo com um valor essencial: indulgência, benevolência, caridade, fraternidade e humildade. Cada dedo existe para exercitar a sua função. Quando o polegar está não, quando não há o exercício da humildade, o não que se cria aqui chamamos de orgulho, porque o orgulho é um não-valor.
Ele não é real, porque o real nunca acaba. A partir do momento em que começamos a exercitar a humildade, o orgulho começa a desaparecer, pois se torna sim, o valor real. É claro que essa transmutação vai acontecer aos poucos, gradativamente, no processo de evolução do ser. 


 
Podemos, então, sintetizar dizendo que: o autoconhecimento é o movimento de discernir, buscando perceber, em nós, os sentimentos egóicos, tratando-os como emoções transitórias, possíveis de ser controladas e transmutadas através do desenvolvimento dos sentimentos permanentes, originados no Ser Essencial que somos.
Quando utilizamos o discernimento, refletindo sobre as nossas emoções, o autodomínio torna-se uma tarefa possível de ser realizada. Lamentavelmente, a maioria das pessoas, ao invés de controlar as emoções egóicas evidentes, se identifica com elas, dando-lhes vasão, ou tenta reprimi-las e bloqueá-las, criando as máscaras do ego, processo de fuga da realidade que apenas retarda o encontro com o ser essencial que somos, como vimos na Parábola dos Dois Irmãos. 


 
O descontrole emocional origina-se dos sentimentos egóicos evidentes, provenientes da energia de desamor que ainda nos caracteriza. Essa energia dá origem a sentimentos, tais como: ódio, raiva, ressentimento, mágoa, orgulho, vaidade, egoísmo, egocentrismo, tristeza, violência, crueldade, angústia, ansiedade, medo, revolta, astúcia, etc.
Quando entramos em contato com estes sentimentos, é comum nos identificarmos com eles, isto é, vivenciarmos intensamente esses sentimentos, resultando em um bloqueio dos fulcros energéticos do Ser Essencial, causando uma densificação do ego, isto é, um estado de congestionamento do ego, como se ele ficasse inflamado. Como ainda trazemos, em nós, tendências emocionais negativas, devido à nossa ignorância, é mais comum darmos vasão aos sentimentos egóicos evidentes - como os colocados acima -, produzindo, no ego, uma intensificação de energias desequilibradas.
A densificação do ego produzirá no perispírito e no corpo físico um congestionamento, ou inibição das energias que os mantêm, fato que produzirá na pessoa que está se identificando com os sentimentos negativos mal-estar, desconforto, desarmonia, desequilíbrio, doenças físicas, mentais.
Isso acontece porque o ego está localizado, energetlcamente, no corpo físico e nas primeiras camadas do corpo fluídico ou perispírito, intermediário entre o corpo físico e o Ser Essencial.
Exemplificando: um indivíduo que nutre, durante a vida inteira, um sentimento de ressentimento e ódio por uma pessoa que o magoou (identificação com os sentimentos egóicos), produz uma densificação do ego, e, conseqüentemente, um bloqueio das energias do Ser Essencial, tornando o corpo perispiritual mais "pesado", "inchado", peso que irá repercutir no corpo físico e na mente.
Esse conflito interno pode gerar um bombardeio energético das células do corpo, resultando em doenças físicas como o câncer, a artrite reumatóide, o lúpus sistêmico, etc., ou um desequilíbrio psíquico, gerando doenças emocionais como a ansiedade, a sÍndrome do pânico, a depressão, de ou ainda, como é mais comum, tanto problemas físicos, quanto psíquicos. 




 
Outra forma que usamos para lidar com os sentimentos egóicos é negando, reprimindo, bloqueando, fugindo deles, fato que gera os sentimentos egóicos mascarados, frutos do pseudo-amor, que são disfarces (máscaras) dos sentimentos egóicos negativos, originados do desamor.
Para tentar se libertar dos conflitos, a pessoa desenvolve, consciente ou subconscientemente, sentimentos aparentemente positivos que, em longo prazo, vão gerar conflitos ainda maiores. Por exemplo: autopiedade, euforia, perfeccionismo, puritanismo, martirização, ete. Isto resulta em uma pseudo-harmonia, pseudo-saúde, pseudofelicidade, pseudoconforto, etc.
Exemplificando: uma pessoa educada segundo padrões morais muito rígidos (puritanismo e perfeccionismo), torna-se muito exigente consigo mesma, e com os outros, no sentido de não permitir o erro em hipótese alguma (repressão dos sentimentos egóicos).
A pessoa, em conseqüência, julga-se muito pura (criação das máscaras), vitalizando, de forma muito intensa, a máscara do puritanismo e do perfeccionismo, apesar de, muitas vezes, tomar contato com sentimentos negativos que são prontamente reprimidos. 
Como esse sentimento de pureza é falso ocorre, apenas, uma falsa sensação de harmonia e saúde, havendo o mesmo bloqueio do Ser Essencial e a densificação do ego vistos anteriormente, acrescentando, a isso, a vitalização das máscaras, que se tornam mais rígidas. 



 
Tomando como base esse exemplo - em relação ao indivíduo que se magoou, devido a uma atitude de outra pessoa -, essa pessoa irá reprimir a mágoa, o ressentimennto e o ódio que sente, dizendo, por exemplo, que é superior a isso; que o que o outro fez não a atinge; que ela é uma pessoa que precisa superar esses tipos de sentimento, etc. Volta e meia o ressentimento e o ódio dão sinais de que estão muito vivos, mas são prontamente reprimidos.
Quem observa as coisas na superficialidade pode, até, achar que isso é positivo, pois dizem que o indivíduo está tentando ser bom e que essa atitude é meritória. Mas, se analisarmos a questão mais profundamente, vamos perceber que, o fato de reprimir um sentimento, não nos liberta dele. Ao contrário, o sentimento fica ali, oculto, gerando a mesma densificação do ego que analisamos anteriormente, acrescida do disfarce da máscara.
Essa atitude é semelhante à pessoa que varre diariamente a sujeira da sala e a coloca em baixo do tapete. A sujeira está oculta, mas continua toda lá. Com o passar do tempo é tanta sujeira escondida, que se torna impossível utilizar o tapete, a não ser com uma limpeza geral. É o que acontece com o processo de mascaramento.
A única forma de nos libertarmos dos sentimentos egóicos é através da aceitação, desidentificação e transmutação deles e a identificação com os sentimentos do Ser Essencial, processo que denominamos de autodescobrimento e que é gerador do auto-encontro.
A aceitação é o movimento de amar o próprio ego, por mais paradoxal que pareça esta afirmação. Normalmente as pessoas têm uma postura de combater os sentimentos egóicos evidentes, voltando-se contra eles como se fossem inimigos a serem aniquilados.
Costuma-se dizer que precisamos combater a raiva, a violência, a ansiedade, etc. Este movimento de combate nos sentimentos egóicos é uma postura, também, de desamor. Ora, não se acaba com um sentimento negativo com outro sentimento negativo. É necessária uma outra energia - o amor - para poder transmutar esses sentimentos para nos libertarmos dos sentimentos negativos é preciso nos conciliar com eles. 



 
No Evangelho de Jesus há uma recomendação, muito clara, para que busquemos a conciliação com os adversários que trazemos em nós. Vejamos o texto em Mateus, capítulo 5, vv. 25 e 26:
Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.
Jesus deixa claro que é necessário transformar, depressa, o adversário em amigo, para que ele não nos coloque na prisão. Quando não aceitamos os sentimentos negativos que trazemos - os nossos adversários internos -, ficamos aprisionados em nós mesmos, identificados com os sentimentos egóicos, vivenciando-os amplamente, ou reprimindo-os, vitalizando as máscaras do ego, sem liberdade para superar, verdadeiramente, a nossa insipiência. Somente os transformando em aliados, verdadeiros amigos, é que podemos evoluir. O ego é, apenas, ignorância a ser transformada, e não algo execrável a ser exterminado, ou mascarado.
Necessário ponderar que Jesus usa o termo depressa, pois, a decisão para se aceitar com defeitos e qualidades, é instantânea: ou ela acontece, ou é postergada indefinidamente pela própria escolha da criatura.
Quando a conciliação é adiada, nós mesmos nos julgamos e nos condenamos à prisão (culpa), entramos em conflito interno, e só poderemos sair dela, após o pagamento do último ceitil, isto é, após termos feito o esforço expiatório, voltando a perceber a pureza potencial que existe em nós, pois o ego, sendo ignorância, traz a pureza em forma latente O ego é a sombra que ainda não se fez em luz necessitando, apenas, ser iluminado e não rejeitado. 
 
Todo esse conflito de não nos aceitarmos com os sentimentos egóicos negativos, tornando-os adversários, gera tormentos desnecessários, pois temos a possibilidade de transformá-los em amigos. Isso nos atrasa o processo evolutivo, porque ficamos na "prisão", estagnados, impedindo, a nós mesmos, de evoluir.
Essa postura de desamor pelo ego é semelhante ao movimento de se jogar álcool no fogo, para apagá-lo; ele ( líquido e incolor como a água, mas é comburente e somente vai alimentar mais o fogo). Para apagar o fogo precisamos de um líquido que amenize o fogo: a água. 




 
Da mesma forma, precisamos amar o ego, isto, aceitá-lo como ele é, para poder aplacar a sua energia e conduzi-la adequadamente, como fazemos com o fogo que queremos apagar.
É importante analisar que os sentimentos do ego não são opositores de nós mesmos, em essência. São, apenas, sentimentos que surgem onde o amor se faz ausente, por isso, ao levar o amor essencial ao ego, estaremos dando o primeiro passo para nos libertarmos dos sentimentos egóicos, preparando-nos para a desidentificação e transmutação.
A desidentificação é uma conseqüência natural da aceitação. Faz-se necessário perceber e aceitar que temos sentimentos negativos a serem transformados, mas que não somos negativos em essência (desidentificação do ego).
A aceitação de que temos esses sentimentos negativos (desidentificação do ego) , mas que somos essencialmente bons, belos, amorosos (identificação com o Ser Essencial), nos libertará da culpa pelos equívocos que cometemos e, por meio da transmutação, possibilitará a nossa transformação interior para melhor, através do amor, liberando-nos de muitas amarras que impedem o nosso autodesenvolvimento, fazendo com que nos responsabilizemos pela construção de nossa felicidade e plenitude.



 
A transmutação dos sentimentos egóicos é realizada pela identificação com os sentimentos do Ser Essencial e, conseqüentemente, pela prática dos atos de amor por si mesmo, por outras pessoas, pelos animais, plantas, pela natureza, enfim, pelo cosmos. A identificação com a energia de amor irá potencializar o Ser Essencial, tendo como resultado a sutilização do Ego, propiciando a plenitude e felicidade, geradoras da Saúde Espiritual.
Analisemos o exemplo da pessoa magoada, colocada anteriormente, dentro da proposta de aceitar, desidentificar e transmutar os sentimentos negativos, ao invés de dar vasão, ou mascará-los.
Vejamos que é necessário ela aceitar que tem os sentimentos de ressentimento e ódio pela pessoa que foi instrumento para que ela se magoasse (aceitação dos sentimentos egóicos), mas que ela é muito mais do que esses sentimentos, que ela não é esse ódio e esse ressentimento (desidentificação dos sentimentos Egóicos), que ela é esssencialmente amorosa, capaz de perdoar (Identificação com o Ser Essencial). 


 
A seguir vem a transmutação que ocorrerá pelo amor e perdão (potencialização do Ser Essencial e sutilização do ego). Isto poderá lhe trazer, além da paz interior, a cura de doenças como o câncer e outras, como têm demonstrado as pesquisas realizadas por inúmeros cientistas no mundo todo, especialmente as desenvolvidas pelos oncologistas americanos Drs. Carl Simonton e Bernie Siegel.

 Drs. Carl Simonton                                                                                                     Bernie Siegel

                 
  

  










Se a pessoa optou por mascarar os sentimentos de mágoa, ódio e ressentimento, deverá, necessariamente, reconhecer as suas máscaras e, a partir daí, realizar a aceitação de que ela não é tão pura e perfeita quanto parece ou deseja, que existem sentimentos negativos escondidos atrás, daquelas máscaras, feridas a serem cicatrizadas e não escondidas (retirada das máscaras).





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