Será que você anda estressado?
O estresse tem feito parte de nossa rotina diária, mas será que você pensa em suas consequências a longo prazo?
Infelizmente, fazemos parte de uma
cultura onde não prevalece a prevenção, pelo contrário, o lema é:
esperar acontecer para ver o que vai fazer. O assunto é sério e requer
cada vez mais atenção de cada um.
Por isso é importante identificar o que
te deixa irritado, nervoso, te tira do sério, e observar como você tem
reagido a essas situações. O que estressa na realidade, não são apenas
os fatos externos, mas principalmente a forma pela qual reagimos aos
acontecimentos da vida e a maneira como os interpretamos e sentimos que
provoca muito mais o estresse.

Afinal, o que é estresse? O estresse é a
alteração do organismo para se adaptar a uma situação nova ou as
mudanças de um modo geral. É uma reação do organismo para manter o
próprio equilíbrio e o corpo pode interpretar a informção como ameaça,
preparando para duas reações básicas; lutar ou fugir. Quando nosso
cérebro, independentemente de nossa vontade, interpreta alguma situação
como ameaçadora, nosso organismo passa a desenvolver uma série de
alterações para se adaptar às situações. Se esse estresse continua por
um período mais longo, o corpo começa a se acostumar com os estímulos
causadores do estresse e entra num estado de resistência ou adaptação. É
um estado de alerta geral! Durante esse estágio, o organismo adapta
suas reações e seu metabolismo para suportar o estresse por um certo
tempo. Se o problema se prolongar, pode-se chegar ao estado de
esgotamento, quando haverá queda no sistema de defesa e surgem as
doenças.
A reação ao estresse pode ser canalizada
para um orgão ou sistema específico, por exemplo, o coração, a pele,
sistema muscular, aparelho digestivo, etc.
Quando o estresse se torna um problema.
O estresse só se torna um problema
quando ocorrem muitas reações em um pequeno período de tempo ou quando
as dificuldades, são constantes. O estresse é cumulativo. Quando mais
intenso, mais sérias são as consequências. Não é o quanto de estresse
você suporta, mas sim como você lida com ele que faz a diferença.
Por isso é essencial aumentar o
autoconhecimento, pois só através dele é que podemos mudar algo, o mais
indicado é começar a observar mais seus comportamentos. Faça algumas
perguntas para si mesmo para descobrir como está reagindo em algumas
situações e se haveria outra forma de reagir:
"Estou preocupado demais com algo?" O quê? Tenho motivos para isso?"
"Como posso resolver essa situação? Depende apenas de mim a solução?"
"Estou mais cansado ultimamente? O que tem me cansado mais?"
"No último ano enfrentei situações como:
perdas, separações, mudança significativa na vida familiar,
profissional, afetiva ou problemas de saúde?"
"Caso positivo, o que ocorreu ?"
"Como eu reagi? Poderia ter reagido diferente? Como?
"Quais são as situações que eu não consigo ter controle? Como eu poderia lidar com isso?
"Quais serão as consequências se eu continuar a agir assim?"
"Quais as outras opções que tenho?"
Essas perguntas parecem simples e são,
mas é claro que não é tão fácil pensar nelas quando você está nervoso.
Então, é preciso praticar. Quando se tornar um hábito, você fará mais
facilmente. Faça essas perguntas a você mesmo quando estiver mais
tranquilo e pense e/ou escreva sobre as respostas. A conversa consigo
mesmo é sempre um dos caminhos mais indicados para aumentar o
autoconhecimento, ter mais controle sob suas ações, elevar auto-estima e
amor-próprio, pois cada vez que você consegue obter o controle de seus
comportamentos, sua autoconfiança também aumenta.
AS PRINCIPAIS CAUSAS DO ESTRESSE
1-Baixa Resitência à Frustração -Característica do indivíduo que se aborrece facilmente.
2-Ameaça Constantes -Pessoas que se sentem intimidadas, gerando atitudes de recuo, de afastamento.
3-Competividade -Pretender uma coisa simultaneamente com outra pessoa.
4-Falta de Tempo para Si Mesmo -Trata-se
do indivíduo que não consegue se organizar, se programar, para que seu
tempo seja bem administrado.
5-Ansiedade Constante -Quando o indivíduo apresenta um comportamento aflitivo ligado a uma sensação constante de perigo.
6-Baixa Auto-Estima -Pessoas que não se gostam, não se valorizam.
A forma pela qual reagimos aos
acontecimentos da vida e a maneira como os interpretamos e sentimos que,
mais que o acontecimento em si, nos provoca estresse. Assim, o que mais
nos ameaça, não são os perigos que vêm de fora, mas sim aqueles que
trazemos dentro de nós!!
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CULPA
A BUSCA DA PERFEIÇÃO

Por detrás de nossas tristezas e frustrações, de nossas insatisfações na
vida, de nossos tédios e angústias, está um sentimento, o mais arraigado em
nosso comportamento e responsável por grandes sofrimentos psicológicos, que é o
sentimento de culpa. O sentimento de culpa é o apego ao passado, é uma tristeza
por alguém não ter sido como deveria ter sido, é uma tristeza por ter cometido
algum erro que não deveria ter cometido. O núcleo do sentimento de culpa são
estas palavras: "Não deveria...". A culpa é a frustração pela
distância entre o que nós fomos e a imagem de como nós deveríamos ter sido.
Nela consiste a base para a auto-tortura. Na culpa, dividimo-nos em duas
pessoas: uma real, má, errada, ruim, e uma ideal, boa, certa e que tortura a
outra. Dentro de nós processa-se um julgamento em que o Eu ideal, imaginário, é
o juiz e o Eu real, concreto, humano, é o réu. O Eu ideal sempre faz exigências
impossíveis e perfeccionistas. Assim, quando estamos atormentados pelo perfeccionismo,
estamos absolutamente sem saída. Como o pensamento nos exige algo impossível,
nunca o nosso Eu real poderá atendê-lo. Este é um ponto fundamental.
Quanto
maior for a expectativa a nosso respeito, quanto maior for o modelo
perfeccionista de como deve ser a nossa vida, maior será o nosso sentimento de
culpa. A culpa é a tristeza por não sermos perfeitos, é a tristeza por não
sermos Deus, por não sermos infalíveis; é um profundo sentimento de orgulho e
onipotência; é uma incapacidade de lidar com o erro, com a imperfeição; é um
desejo frustrado; é o contato direto com a realidade humana, em contraste com
as suas intenções perfeccionistas, com os seus pensamentos
megalomaníacos a respeito de si mesmo. E o mais grave é que aprendemos o
sentimento de culpa como virtude!
A culpa sempre se esconde atrás da máscara do
auto-aperfeiçoamento como garantia de mudança e nunca dá certo. Os erros dos
quais nos culpamos são aqueles que menos corrigimos. A lista de nossos
"pecados" no confessionário é sempre a mesma. A culpa, longe de nos
proporcionar incentivo ao crescimento, faz-nos gastar as energias numa
lamentação interior por aquilo que já ocorreu, ao invés de as gastarmos em
novas coisas, novas ações e novos comportamentos. Por isto mesmo, em todas as
linhas terapêuticas, este é um sentimento considerado doentio. Não existe
nenhuma linha de tratamento psicológico que não esteja interessado em tirar dos
seus pacientes o sentimento de culpa. A culpa é um auto-desprezo, um
auto-desrespeito pela natureza humana, por seus limites e pela sua fragilidade.
A culpa é uma vingança de nós mesmos por não termos atendido a expectativa de
alguém a nosso respeito, seja esta expectativa clara e explícita, ou seja uma
expectativa interiorizada no decorrer da nossa vida. Por isto é que se diz que,
ao nos sentirmos culpados, estamos alienados de nós mesmos, e a nossa
recriminação interna não é, nem mais nem menos, do que vozes recriminatórias
dos nossos pais, nossas mães, nossos mestres ou outras pessoas que ainda
residem dentro de nós.

Mas aquilo que nos leva a esse sentimento de culpa,
aquilo que alimenta esta nossa doença auto-destrutiva, são algumas crenças
falsas. Trabalhar o sentimento de culpa é, primordialmente, descobrir as
convicções falsas que existem em nós, aquelas verdades em que cremos e que são
errôneas, e nos levam a este sentimento. A primeira delas é a crença na
possibilidade da perfeição. Quem acredita que é possível ser perfeito, quem
acha que está no mundo para ser perfeito, quem acha que deve procurar na sua
vida a perfeição, viverá necessariamente atormentado pelo sentimento de culpa.
A expectativa perfeccionista da vida é um produto da nossa fantasia, é um
conceito alienado de que é possível não errar, que é possível viver sem cometer
erros. Quanto maior for a discrepância entre a realidade objetiva e as nossas
fantasias, entre aquilo que podemos nos tornar através do nosso verdadeiro
potencial e os conceitos idealistas impostos, tanto maior será o nosso esforço
na vida e maior a nossa frustração. Respondendo a esta crença opressora da
perfeição, atuamos num papel que não tem fundamento real nas nossas
necessidades. Nos tornamos falsos, evitamos encarar de frente as nossas
limitações e desempenhamos papéis sem base na nossa capacidade. Construímos um
inimigo dentro de nós, que é o ideal imaginário de como deveríamos ser e não de
como realmente somos. Respondendo a um ideal de perfeição, nós desenvolvemos
uma fachada falsa para manipular e impressionar os outros.

É muito comum, no relacionamento conjugal, marido e
mulher não estarem amando um ao outro e, sim, amando a imagem de perfeição que
cada um espera do outro. É claro que nenhum dos parceiros consegue corresponder
a esta expectativa irreal e a frustração mútua de não encontrar a perfeição
gera tensões e hostilidades, num jogo mútuo de culpa. Esta situação se aplica a
todas as relações onde as pessoas acreditam que amar o outro é ser perfeito.
Quando voltamos para nós exigências perfeccionistas, dividimo-nos
neuroticamente para atender ao irreal. Embora as pessoas acreditem que errar é
humano, elas simplesmente não acreditam que são humanas! Embora digam que a
perfeição não existe, continuam a se torturar e a se punir e continuam a
torturar e a punir os outros por não corresponderem a um ideal perfeccionista
do qual não querem abrir mão.

Outra crença que nos leva à culpa, esta talvez mais
sutil, mais encoberta e profunda, é acreditarmos que há uma relação necessária
entre o erro e a culpa, é a vinculação automática entre erro e culpa. Quase
todas as pessoas a quem temos perguntado de onde vêm os seus sentimentos de
culpa, nos respondem taxativamente que vêm de seus erros. Acreditamos que a
culpa é uma decorrência natural do erro, que não pode, de maneira alguma, haver
erro sem haver culpa. Se acreditamos nisto, estamos num problema insolúvel. Ou
vamos passar a vida inteira tentando não errar para não sentirmos culpa - e
isto é impossível porque sempre haverá erros em nossa vida - ou então
passaremos a vida inteira nos sentindo culpados porque sempre erramos. Essa
vinculação causal entre erro e culpa é profundamente falsa. A culpa não decorre
do erro, mas da maneira como nos colocamos diante do erro; vem do nosso
conceito relativo ao erro, vem da nossa raiva por termos errado. Uma coisa é o
erro, outra coisa é a culpa; erros são erros, culpa é culpa. São duas coisas
distintas, separadas, e que nós unimos de má fé, a fim de não deixarmos saída
para o nosso sentimento de culpa. O erro é o modo de se fazer algo diferente,
fora de algum padrão.

A culpa é um sentimento, vem de nós, vem da crença de
que é errado errar, que não podemos errar, que devemos ser castigados pelas
faltas cometidas; crença de que a cada erro deve corresponder necessariamente
um castigo, de que a cada falta deve corresponder uma punição.
As pessoas confundem assumir o erro com sentir culpa.
Assumir o erro é aceitar que erramos, é nos responsabilizarmos pelo que fizemos
ou deixamos de fazer. Mas quando acreditamos que a culpa decorre do nosso erro,
tentamos imputar a outros a responsabilidade dos nossos erros, numa tentativa
infrutífera de acabar com a nossa culpa.
A propósito do erro, há um texto interessantíssimo no
livro "Buscando Ser o que Eu Sou", de Ilke Praha, que diz: "O
perfeccionismo é uma morte lenta. Se tudo se cumprisse à risca, como eu
gostaria, exatamente como planejara, jamais experimentaria algo novo, minha
vida seria um repetição infinda de sucessos já vividos. Quando cometo um erro
vivo algo inesperado. Algumas vezes reajo ao cometer erros como se tivesse
traído a mim mesmo. O medo de cometer erros parece fundamentar-se na recôndita
presunção de que sou potencialmente perfeito e de que, se for muito cuidadoso,
não perderei o céu. Contudo, o erro é uma demonstração de como eu sou, é um
solavanco no caminho que tracei, um lembrete de que não estou lidando com os
fatos. Quando der ouvidos aos meus erros, ao invés de me lamentar por dentro,
terei crescido". Este é o texto.
Algumas pessoas nos perguntam: "Mas como avançar
em relação a este sentimento, como arrancar de mim este hábito de me deprimir
com os erros cometidos?".
O Perdão é uma palavra perdida em nossa vida. O
primeiro sentimento que se perde no caminho da loucura é o sentimento de
perdão, o sentimento de auto-perdão. Se a culpa é a vergonha da queda, o
auto-perdão é o elo entre a queda e o levantar de novo. O auto-perdão é o
recomeço da brincadeira depois do tombo: "Eu me perdôo pelos erros
cometidos, eu me perdôo por não ser perfeito, eu me perdôo pela minha natureza
humana, eu me perdôo pelas minhas limitações, eu me perdôo por não ser
onipotente, por não ser onipresente, por não ser onisciente, eu me perdôo
por...". O perdão é sempre assim mesmo, é pessoal e intransferível.
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