CIUMES E INSEGURANÇA
É necessário ressaltar o aspecto radiante ou energético da confiança, do amor e da fé. Trata-se de um fenômeno energético, que tem a direção do Eu para fora do Eu e é projetada sobre o mundo e os outros. Aquele estado, comumente também chamado de confiança e que depende do Outro (ou do que o Outro faça!) para existir ou para se manter, em verdade, não merece este nome, pois não é confiança coisa nenhuma.
Se eu confio, não vigio, se confio não me faço um negociante da confiança ou da desconfiança do outro, não me torno um GUARDA restritivo e muito zeloso de suas posses adquiridas, não me torno um segurança, sempre pronto a cercar e garantir, sempre pronto a proibir e a cercear a liberdade do outro.
Se EU, em nome de minha Insegurança exijo provas diuturnas de que o Outro nada tenha feito para merece-la, então, de fato, de dentro de minha Insegurança, o Outro é CULPADO, a menos que PROVE O CONTRÁRIO, pois a realidade única que eu permito é a da minha DESCONFIANÇA e o Outro, na verdade, não é levado em conta, e sim, desconsiderado e desrespeitado em sua Individualidade, poder de escolha e liberdade. Aí está a raiz psicológica da Democracia aplicada ao campo dos relacionamentos interpessoais. Para o Inseguro e Desconfiado, o Outro, de fato, nem existe como dimensão psicológica. Ainda que sua existência física e sua presença não possam ser negadas, para o desconfiado/inseguro a percepção psicológica da existência real do Outro ainda não aconteceu, pois a partir de sua imaturidade ele(a) não se relaciona com o Outro e, sim com o espelho de si mesmo, através de julgamentos, explicações convenientes, condenações, preconceitos, pré-julgamentos de todo tipo, assunções de valor moral e, principalmente, uma imensidão de carimbos moralistas sobre a testa alheia com conotações negativas:
Você me trai! Você não é confiável!.........E assim por diante..........O fato é ele(a) não vê na realidade nada além do que ele mesmo cria, nada além daquilo que ele, de forma doentia, quer ver no Outro (sempre o pior, sempre o mais negro, sempre o mais terrível). Ele só vê no outro o espelho de seu íntimo, nada mais, pois nunca tem a visão real da outra pessoa já que sua guerra é com seus sentimentos negativos e com a projeção indiscriminada e inconsciente destes sentimentos sobre o Outro. Sua guerra é com a dependência estrita e estreita que ele nutre, todos os dias, com relação a estes sentimentos negativos e depressivos. É como se ele(a) (desconfiado/inseguro) dissesse, o tempo todo, para o Outro:
Por favor, não me faça isso!!!! Não me traia!!! Não me abandone!!!! Não me rejeite, me me passe pra trás!!! Eu sofreria tanto se isto me acontecesse que acho, que seria capaz de perder a cabeça a fazer uma loucura! Quando, de fato, já é uma loucura fazer o que faz, do jeito que faz...
Exetuando-se os casos em que o desconfiado/inseguro se depare com alguém realmente indigno de confiança e traidor, todas as outras possibilidades, que ele teve, de confiar, serão inapelavelmente desperdiçadas, pois ele não pode se dar ao luxo de confiar: é correr riscos demasiados... é dar a arma pro bandido!!! É demonstrar ingenuidade!!! Sua imaturidade e sua baixa auto-estima não se remediam em absoluto por esforços de guardar e protejer possessivamente ao Outro; nem se apequena diante de um companheiro(a) que não lhe dê motivos e que se esforce, sabe Deus quanto, para não lhe causar este tipo específico de sofrimento. Ele se parece com um diretor de cinema que sempre vê o mesmo filme, a mesma cena... e, de fato, não importa se ela é ou não real, pois, mesmo que não seja, ainda assim parece possível (e plausível) aos seus olhos (tornados míopes pelos filtros impiedosos de seus sentimentos negativos)...
O desconfiado/inseguro tem de reconhecer que está (por assim dizer) possuído por sentimentos negativos e que, em função deste fato, vive dando voltinhas sem abordar, de frente, a questão. Uma coisa é certa: Ninguém sofre mais com o ciúme e a insegurança, do que o próprio ciumento/inseguro. Trata-se de um grande desperdício de energia e de vida!
Quem sofre tanto com este problema faria por bem ocupar-se mais (atentar) para aquilo que ele(a) ENTREGA no relacionamento, e menos, com aquilo que ele(a) RECEBE.
Há uma grande responsabilidade envolvida naquilo que ENTREGAMOS nas relações com os Outro, pois existem cargas letais para um relacionamento legítimo e o Ciúme e a Insegurança são, sem dúvida, dois tipos de influência muito nocivas.
Assumir a responsabilidade pelo que ENTREGAMOS nos faz retormar o foco em nós mesmos (e naquilo que emana do EU), assim como nos faz parar de criticar tanto ao Outro, como se ele fosse o nosso obstáculo de plantão na jornada/caminhada na direção da felicidade e da plenitude.
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